Conto: Os antigos deuses - capítulo 2 - A carta de Dwalls Torrin
Interações são comuns entre os estudiosos de Austrand, mais comuns ainda são os diversos tratados sobre a ideias cientificas e sobre a natureza das coisas. Eu, um simples carteiro, uma vez nas terras agrestes, fui enviado para entregar uma das milhares de cartas do mestre Torrin para a cidade de Cristarubra. Séria aquela uma viajem de ida e volta, sem mais preocupações. A passagem para a cidade dos pequenos é difícil, e necessita de grande paciência para enfrentar o calor e o forte vento lá presente.
No início do caminho me deparei com diversos lugares de diferentes propriedades, as quais eram conhecidas por min a muito tempo. O céu era mister naquela hora. Aproveitei o tempo para rever algumas anotações feitas durante algumas viagens, nelas eu havia relatado a gigantesca bela das torres de Ank’ bar e até mesmo relatei o comportamento dos diversos monstros conhecidos mundo a fora. Entre os documentos, encontrei antigos desenhos meus e muitos deles ainda encontravam-se em branco: - talvez a antiga habilidade pode ainda viver em min— disse eu naquela obscura noite ao lado da fogueira. Contudo, eu não tinha algo para estudar ou observar, porém , ainda sim, a procura de uma inspiração, vaguei pela mata na esperança de achar um simples coelho ou cervo para esboçar no papel.
Na minha procura, encontrei uma antiga casa que, junto a floresta, ocupava a periferia de um pântano e no centro das suas aguas(do pântano) uma arvore de altura relativamente grande se expandia apical em direção ao céu. Seus galhos eram negativamente côncavos como num cogumelo e, estranhamente, suas raízes eram aparentes. Na sua área de enraizamento, um líquido de cor negra era abundante e, pelo que aparentava, em contato com pequenos brotos ali perto; os dissolvia como ácido.
Aproximei-me cuidadosamente da circunferência de sua área e, encantado com a diferença aparente da arvore, comecei meus ensaios de desenho e fisionomia do ser. Me deparei com estranhas propriedades que nunca antes foram vistas por min e nunca antes foram citadas em livros de botânica— livros esses roubados da grande biblioteca de Austrand por min na juventude. Curioso, peguei o meu punhal para autodefesa e comecei a serrar o galho mais fino que encontrei. Enquanto eu o fazia, o fúnebre líquido espirrava para as laterais, coisa que me fez tomar cuidado, pois, aquela mesma substância já fôra nociva contra seres vivos antes. Terminando a decepação, voltei rapidamente para meu acampamento e observei que os tecidos da planta eram intensamente rústicos, e, constantemente, o pequeno pedaço da arvore expelia a estranha substância.
Após muitas análises, amanhã já era aparente e continuei meu caminho. A caminhada continuava exaustiva e longínqua como todas às vezes, e, num determinado instante, decidi descansar num pequeno rochedo no deserto e acabei por adormecer. Horas se passaram, e ao acordar reparei que minha bolsa fôra rasgada por pequenos seres do deserto. E, com isso, a carta do senhor Torrin estava largada no chão junto a outros papeis. Ao perceber que o vento se fortificava, corri para capturar a carta que possivelmente iria ser levada pelo vento que se aproximava. Depois de correr rapidamente consegui pegar o documento, contudo, parte do pacote estava rasgado e a correspondência era aparente. Como sou um homen curioso, acabei por abrir a carta e acabei por lê-la.
Sr. Dwalls Torrin.
Escrito em 163, segunda era.
Prezado Senhor Skulendel, das Montanhas de Ferro.
Recebi sua mensagem a uma semana e, de forma rápida, lhe escrevi essa carta com deveras precisões. Perdoe-me caso o senhor não obtenha tantas respostas, pois, suas perguntas foram muitas e meu tempo não é lento como o de outros.
Contudo, tenho algumas respostas para ti. Primeiramente, os testes com o líquido foram mal sucedidos, pois, ao contacta-lo com alguns pequenos ratos; tive variáveis reações. Uma das cobaias teve parte de seu corpo destruído; e outra teve um crescimento das orelhas e, em determinado ponto, seu crescimento se tornou destrutivo. Todavia, uma das cobaias teve uma alteração abruptamente horrenda. Sua pele caiu e, com os músculos a mostra, a criatura, depois de dias, desenvolveu um sistema traqueal parecido com o dos insetos e sua imagem se modificou de uma forma que não me atrevo a descrever. Não obstante de tudo, ao contacta-lo com vegetais( briófitas e outros tipos), obtive um resultado positivo nas primeiras semanas; fortes e semi-maduros eram seus brotos. Seu tecido meristemático era negro como a noite, e, entre às células de seu tecido peristema, o mesmo líquido era presente e, entre suas diferentes propriedades, tinha-se a acidicidade.
Observando o fúnebre líquido de forma técnica e constante, percebi, sobre tudo, um fato de importância capital. Tal líquido não tem origem conhecida em nosso mundo ou caso tenha, foi produzido com o mais fúnebre poder e como tal energia permaneceria nessa forma comprimida por tanto tempo? logo, podemos constatar que sua origem é externa ao mundo.
Curioso, acabei por pesquisar na grande biblioteca sobre tais assuntos antigos de nossa história. Lá encontrei um antigo registro datado dos tempos antigos. Nele habitavam informações que, por muito tempo, foram completamente ignoradas pelos estudiosos. Talvez seja pela sua história. Lendo o livro, descobri que ele fôra escrito antes do início das eras, e que não possuía um determinado autor. Enquanto eu o lia, descobri coisas de extrema complexidade e, por mais que pareça, não estou louco ao confessar isso a ti. Muitas informações que obtive são inúteis para ti, contudo, tenho algumas que merecem ser citas aqui. Vou lhe contar o que precisa saber e nada mais. Em minha leitura, descobri entre muitas coisas algo essencial: em tempos de formação planetária, seres de complexidades mister voavam como um enxame de gafanhotos pelo extremo vácuo. Sua origem advinha da grande nebulosa de escarlate, eles possivelmente cresceram com o impactar de energia e poder. Em algum momento na imensidão, encontraram nosso iluminador(o Sol) e lá habitaram sobre sua quente superfície. E quando notaram a presença de nosso mundo, seus negros olhos peçonhentos observaram a pequena rocha azul. Pelo que sei, em algum momento no passado eles deixaram sua antiga morava e dominaram os mares, pois seus corpos se habituavam facilmente a partículas da a água.
Nos fundos mais escuros da terra, eles viviam, porém não eram tecnológicos ou avançados. Porém, suas mentes tinham poder para criar uma tecnologia inimaginável para nós, e, tais tecnologias seriam inúteis pois sua natureza já os serve com extrema criatividade.
Mas, além deles, uma raça já habitava esse mundo e já o dominava. Tal raça dominava os céus e o grande continente e, ao contrário dos invasores, sua natureza era fraca porém complexa e inteligente como os outros. Eles detinham o poder de tecnologia inimaginável para nós e se alto denominavam Ifiäns.Uma guerra aconteceu entre eles e resto dos registros são desconhecidos.
Porém, não acredito que tais seres metafísicos tenham existido, e, se sua existência foi presente em nosso mundo, onde estão os fósseis, gravuras etc..?
Bom….termino aqui essa carta e aconselho que o senhor não viaje para Calávari,pois, sua presença não foi bem vinda em Berequil.
Atenciosamente grato, Sr. Dwalls Torrin, de Berequil.
Skulendel, das montanhas de ferro.
Universidade imperial de Austrand.
Vanguarda de Monte Corvo.
Após ler a carta, uma grande satisfação me abateu. Uma carta com tais níveis de informações é algo raro nessas terras. Eu me senti um verdadeiro estudioso, tal qual era o meu sonho de infância; afinal, que não gostaria de saber sobre as propriedades físicas e químicas do mundo? Eu realmente me sentia realizado.
Depois de alguns pensamentos comigo mesmo, decidi retornar a minha missão e, rapidamente, corri para entregar a formosa e informativa carta para Skulendel, das montanhas de ferro.
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