sábado, 11 de abril de 2020

Conto: Os antigos deus - capítulo 1 - O forasteiro.

Conto: Os antigos deuses - capítulo 1 - O forasteiro

Homens tem trabalhado de maneira angustiante nesses anos.Talvez, tal trabalho tem se intensificado por causa do frio que se a próxima da cidade de Berequil. E durante esse tempo frio, a cidade se fecha por completo; ninguém entra ou sai. Mas, não posso me abster de dizer que gosto desse fúnebre clima. Porém, uma duvida que sempre tive com relação a íngreme perda da cidade de Hexoráguil. Eu realmente não entendo, como tal mal se abateu sobre tais terras que outrora foram fortes.
     E, reconheço que esse mal é antigo e relutante em sua corrupta propagação. O mal presente no antigo reino, tem origem num pequeno viajante que deslocou-se de sua terra natal para a terra dos homens. Tinha o título de grande estudioso e viajante de terras ocultas. Seu nome era Skulendel, vestia roupas dignas da realeza que localizava-se aos pés das montanhas de Solariand. O motivo de sua visita à terra dos homens era a preocupação com os povos que sofriam com a fome; localizados no grande deserto nevado e na fúnebre cidade de Hexoráguil. Porém, ao chegar ao castelo de Calávari; foi mal recebido por causa de seus experimentos que foram vistos como fúnebres, diabólicos, ocultos e malignos.
     Pelo que é dito, o pequeno estudioso após ser praticamente expulso do castelo, montou em pequeno búfalo e seguiu em meio a neve que solidificava-se e partiu rumo a Hexoráguil. Lá chegando, apresentou-se ao rei Úlick, o belo que o recepcionara de  maneira educada e simples. O rei concedeu acomodações ao pequeno dweemer, que agradeceu ao seu anfitrião de forma respeitosa. As pessoas sobreviventes do ocorrido na cidade, dizem que  Skulendel era oculto e vivia na penumbra; e que durante a noite saia  para fazer estranhos murmúrios que assombravam a população durante as noites mais obscuras.
    Porém, o inverno se aproximava de maneira uniforme; não obstante, as plantações deveriam ser colhidas e armazenadas o mais rápido possível antes que o íngreme inverno chegasse á capital. Naquele ano, a colheita ocorreu de maneira rápida e como consequência fora uma má colheita, parte dos produtos armazenados foram perdidos. Tudo apontava que o inverno seria difícil e, possivelmente longo, mas, numa noite; o pequeno  estudiosos apareceu acompanhado de uma carroça com alimentos de diversos tipos. Skulendel parou a carroça na parte central da cidade e partilhou grãos, pão e trigo com a população. Naquela noite, o dweemer fez um discurso enquanto partilhava comida. Tal discurso é até hoje lembrado nas vilas presentes no extremo oeste. Levantando um punhado de grãos, Skulendel gritou com todas as suas forças para todo o povo que ali estava:
  — Senhores, estive pensando sobre nossa forma de vida!— O dweemer respirou fundo e voltou a falar com maior clareza— Eu, um mero estudioso , descobri uma forma de acabar com vosso sofrimento; ó povo de Hexoráguil.— após dizer tais palavras, o povo aplaudiu e gritos podiam ser ouvidos.
         Pela manhã, uma conversa intensificava-se na catedral. O rei e o nobre dweemer discutiam formas de como o pequeno estudioso faria para sustentar as plantações durante o inverno. O sustento das plantações iria advir de um novo mineral líquido denominado mercúrio. Tal minério, já fora uma vez encontrado pelos dweemer, sendo usado para o funcionamento de maquinas e outros equipamentos.
      O mercúrio em sua essência, era descrito com um líquido de propriedades complexas; era também uma fonte constante de luz. Em sua presença, as coisas mudavam de maneira fúnebre. Mudanças tais eram descritas de diversos modos, um deles seria à forma de como as coisas vivas adulteravam-se em sua imperscrutável presença. Ratos desenvolviam uma ou duas caldas, o gado distorcia-se de maneira inominável.
        Com a permissão do rei Úlick. Skulendel implantou diversas bacias de mercúrio nas plantações mais abundantes e resistentes ao frio. Com o passar dos dias, as pequenas plantações cresceram de maneira abrupta e rápida. O povo comemorou e festejou. Os armazéns foram preenchidos com o triplo de sua capacidade. Fartura. As plantações estenderam-se até o fim do inverno, e o mercúrio foi considerado diversas vezes mais precioso do que ouro naquelas abruptas terras nevadas.
        Alguns meses após a última colheita o solo entrou num estado de putrefação. As plantações davam vida a seres de assimetria radial e olhos eram presentes nos vegetais. Todos se perguntavam se ô porque daquele escuro flagelo que assolava as plantações.
   

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